Eu nunca consegui apenas usar tecnologia. Sempre precisei entender como ela funcionava: desmontar, experimentar, quebrar algumas coisas no caminho e construir outras. Essa curiosidade acabou se transformando em uma carreira que atravessou desenvolvimento de software, arquitetura, dados, produtos digitais e a liderança de grandes projetos de tecnologia.
Ao longo dos anos, passei a trabalhar em um lugar curioso: entre dois mundos. De um lado, a engenharia: código, APIs, bancos de dados, integrações, arquitetura e sistemas distribuídos. Do outro, o negócio: estratégia, produtos, pessoas, decisões e o desafio muito mais difícil de transformar tecnologia em algo que realmente tenha valor.
Com o tempo, vieram projetos maiores, times internacionais, sistemas críticos e iniciativas para algumas das maiores empresas do mundo. E aconteceu algo bastante comum na carreira de quem cresce em tecnologia: quanto maiores ficavam os projetos que eu liderava, mais distante eu ficava do código. Mas a vontade de construir nunca foi embora.
Então veio a Inteligência Artificial. E, pela primeira vez em muitos anos, tive de novo aquela sensação que me fez escolher tecnologia no começo de tudo: isso vai mudar completamente a maneira como construímos software.
Não me interessava apenas usar IA. Eu queria entender o que aconteceria quando ela deixasse de ser uma janela de chat e passasse a fazer parte da arquitetura de um produto: quando pudesse receber dados reais, interpretar contexto, cruzar informações, identificar padrões e ajudar pessoas a tomar decisões. Foi exatamente dessa inquietação que nasceu a tecnologia por trás do Real Academy.
Voltar a construir
Quando começamos a imaginar a plataforma, tomei uma decisão pessoal: eu não queria apenas liderar esse projeto. Queria construí-lo. Voltei para o código, a arquitetura, o banco de dados, o backend, o frontend, as APIs, a autenticação, as regras de negócio, as integrações e a inteligência artificial. Foram incontáveis decisões pequenas até que aquilo que existia apenas como uma ideia começasse, finalmente, a responder na tela.
E existe algo especial nisso. Depois de anos liderando projetos complexos de tecnologia, voltar a criar um produto, desde a primeira estrutura de dados até a experiência que você está usando agora, me lembrou por que comecei nessa profissão. Eu gosto de construir coisas que antes não existiam.
Mas o desafio nunca foi simplesmente colocar IA em uma plataforma. Os modelos de Inteligência Artificial estão se tornando extraordinariamente poderosos e cada vez mais acessíveis. Por isso, acredito que a verdadeira vantagem não estará apenas no modelo. Estará no contexto que conseguimos construir ao redor dele: dados, histórico, relacionamentos, regras, conhecimento de domínio e a capacidade de transformar tudo isso em inteligência útil.
The model is a commodity. The context is proprietary.
E foi dessa mesma inquietação que nasceu o ImovelScore. A ideia era levar esse conceito para um problema concreto do mercado imobiliário: transformar um universo de imóveis, preços, características, histórico e movimentações de mercado em informação que pudesse realmente ajudar alguém a tomar uma decisão.
Não apenas mostrar dados. Interpretá-los. Observar o mercado continuamente. Entender quando um imóvel aparece, quando seu preço muda, quando uma oportunidade começa a surgir e, principalmente, colocar cada informação dentro de um contexto.
O ImovelScore começou como uma ferramenta e acabou se tornando algo maior: uma demonstração de como dados, software e Inteligência Artificial podem trabalhar juntos para transformar informação dispersa em inteligência de mercado. E isso passou a fazer parte da própria visão tecnológica do Real Academy.
O Real Academy é uma das minhas experiências mais concretas com essa ideia. Aqui, tecnologia, dados e inteligência artificial não existem para impressionar em uma demonstração. Existem para resolver problemas reais.
E ainda estamos no começo. Talvez essa seja a parte que mais me entusiasma. Você está usando uma plataforma que vai continuar aprendendo, ganhando novas capacidades e ficando mais inteligente conforme novas ideias forem transformadas em software. E eu provavelmente continuarei fazendo aquilo que sempre fiz quando encontro alguma tecnologia interessante: abrindo o computador e pensando... Tá, mas até onde dá para levar isso?
